Shantaram
Demora um certo tempo até que eu escolha uma boa ficção para ler.
Depois de mais de 900 páginas, UFA!, terminei de ler essa obra surpreendente!
Ficção é foda porque vicia. Fiquei meio desesperado quando o livro acabou.... e agora!?
Vou falar um pouco sobre a obra!
Resenha retirada da Internet:
"Shantaram" é um romance baseado na vida do autor, Gregory David Roberts. Em 1978, por causa de seu vício em heroína, Roberts cometeu uma série de roubos e foi condenado a dezenove anos de prisão. Em julho de 1980, em plena luz do dia, ele conseguiu escapar pelo muro da frente da prisão de segurança máxima em Victoria, vindo a ser, nos próximos dez anos, o homem mais procurado da Austrália. Sua jornada levou-o a Nova Zelândia, Ásia, África e Europa, mas passou a maior parte do tempo em Bombaim – onde montou uma clínica de atendimento médico gratuito para moradores de favela e trabalhou como traficante de armas, falsificador, contrabandista e membro de um dos mais carismáticos ramos da máfia de Bombaim. hantaram relata tudo isso e muito mais. É uma história épica e hipnótica de favelas super lotadas e hotéis de cinco estrelas, amores românticos e torturas em prisões, guerras entre facções de máfia e filmes de Bollywood, gurus espirituais e sangrentas batalhas. O enredo tece uma teia sem costuras de personagens inesquecíveis, aventuras extraordinárias e evocações magníficas da cultura indiana. Este livro notável pode ser lido como um grande e prolongado suspense, assim como uma meditação surpreendentemente bem escrita sobre a natureza do bem e do mal. Trata-se de uma história comovente de um homem foragido que perdeu tudo – lar, família e alma – e voltou a encontrar sua humanidade enquanto vivia no limite selvagem da experiência. Nenhum romance desta grandeza foi escrito antes e ninguém além de Greg Roberts poderia tê-lo escrito agora."
Biografia + India + Romance + Drogas + Máfia + Intrigas + Filosofia = "o bagulho te prende!!!"
Essa receita desde o iníco me atraiu e me levou a comprar o livro na loja da Amazon Brasil.
Tenho muitos livros sobre filosofia oriental, sobre a cultura Indiana, relatos de viagens, mas essa foi a primeira ficção passada na Índia que li.
O protagonista começa um nova vida após sua fuga na Austrália e todo seu processo de "ambientação" nesse novo país e nessa nova cultura é muito interessante, principalmente os elementos que o conecta aos demais personagens.
A parte romântica do Livro, entre Lin e Karla, é bem peculiar.
Karla é uma mulher bonita aos olhos dele, mas sua intuição emerge a partir de outros atributos.
"A mão dela ainda estava pousada na dobra do meu braço, perto do cotovelo. O toque era exatamente como deveria ser o toque da mão de uma amante: familiar, mas ao mesmo tempo excitante, como um promessa susurrada. Senti uma vontade quase irresistível de lhe tomar a mão e colocá-la sobre meu peito, perto do coração. Talvez eu devesse ter feito aquilo. Agora sei que ela teria achado graça e teria gostado de mim por causa disso. Mas, mesmo desconhecidos naquele momento, ficamos ali por cinco segundos, olhando um para o outro, enquanto todos os mundos paralelos, todas as vidas paralelas que poderiam ter sido e nunca seriam, giravam em torno de nós."
O amor "quase platônico" entre Lin e Karla permeia toda a obra.
Todos o círculo de amigos de Lin é formado inicialmente por uma leitura, uma percepção própria que gera uma sentimento, uma opinião... é muito bacana como. a cada pessoa que ele conhece, esse processo se desenrola.
Prabaker, o primeiro amigo indiano, é conectado através do seu sorriso!
Abdel Khader Khan, poeta, filósofo e chefão do crime (que louco!) torna-se uma referência paterna para Lin. As conversar filosóficas sobre o que é o universo, sobre as leis da natureza, o propósito da vida, etc. que acontecem entre eles é muito bacana.
"Khaderbhai me disse, certa vez, que, se invejamos alguém pelas razões certas, estamos na metade do caminho em direção à sabedoria."
"Todos os gurus que encontrar, todos os professores, os profetas e os filósofos devem saber responder a essas duas perguntas: Qual é a definição objetiva e universalmente aceita de bem e mal? e Qual é a relação entre consciência e matéria? Se não puderem responder a essas duas perguntas, como eu fiz, eles não passaram no teste."
Um dos ensinamentos que esse livro me trouxe é que acima de sermos ocidentais ou orientais; brasileiros, americanos, indianos ou paquistaneses, somos seres humanos. Se existem barreiras culturais que nos afastam, existem elos espirituais que nos unem, que podemos resumidamente exemplificar como valores e caráter.
"Mas a alma não conhece as culturas. A alma não tem país. A alma não tem cor, sotaque ou estilo devida. A alma é para sempre. A alma é uma. E quando o coração tem seu momento de verdade ou tristeza, a alma não pode ser silenciada."
Obs.: Encontrei o parágrafo acima depois de criar esse post inicialmente. Reforça 100% o que eu escrevi sobre os ensinamentos que tive. Fiquei de cara! :)
Ótima leitura!

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